quarta-feira, 10 de junho de 2015

Chuva

Quando chove os vidros embaçam. Finos dedos correm gélidos pela janela entreaberta. E o vento que sopra dela afasta e puxa a cortina num vai e vem repetitivo infernal. Contra a esquadria de alumínio a borda da cortina bate contra a janela e faz estalos periódicos. Como um tique-taque. Ele marca o tempo passar e junto com esse vai e e vem o dia se vai, se pondo furtivo por trás das nuvens cinzentas. É de tarde, mas não se sabe que horas. Poderia ser dia e eu não faria distinção. O barulho do pneu dos carros lá fora contra a rua molhada não me traz nenhuma dica. Não há pássaros, nem morcegos, nem música, nem cantigas, nem histórias, nem conversas, nem beijos, nem cheiros, nem gostos, nem nada. Só o tique taque infernal dessa janela e as horas do meu dia a se esvair como os pingos da chuva correndo pela janela.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Zigue-zague

Zigue-zague.
Fazem pés apressados.
Em calçadas de pedra
sujas
Imundas como os pensamentos
Das cabeças
que estão a guiar os pés